sexta-feira, 24 de setembro de 2010

POESIA DE CASTRO ALVES - EXTRAÍDA DO LIVRO PARNASO DE ALÉM TÚMULO - PSICOGRAFIA DE CHICO XAVIER



Marchemos!

Há mistérios peregrinos
No mistério dos destinos
Que nos mandam renascer:
Da luz do Criador nascemos,
Múltiplas vidas vivemos,
Para à mesma luz volver.

Buscamos na Humanidade
As verdades da Verdade,
Sedentos de paz e amor;
E em meio dos mortos-vivos
Somos míseros cativos
Da iniqüidade e da dor.

É a luta eterna e bendita,
Em que o Espírito se agita
Na trama da evolução;
Oficina onde a alma presa
Forja a luz, forja a grandeza
Da sublime perfeição.

É a gota dágua caindo
No arbusto que vai subindo,
Pleno de seiva e verdor;
O fragmento do estrume,
Que se transforma em perfume
Na corola de uma flor.

A flor que, terna, expirando,
Cai ao solo fecundando
O chão duro que produz,
Deixando um aroma leve
Na aragem que passa breve,
Nas madrugadas de luz.

É a rija bigorna, o malho,
Pelas fainas do trabalho,
A enxada fazendo o pão;
O escopro dos escultores
Transformando a pedra em flores,
Em Carraras de eleição.

É a dor que através dos anos,
Dos algozes, dos tiranos,
Anjos puríssimos faz,
Transmutando os Neros rudes
Em arautos de virtudes,
Em mensageiros de paz.

Tudo evolui, tudo sonha
Na imortal ânsia risonha
De mais subir, mais galgar;
A vida é luz, esplendor,
Deus somente é o seu amor,
O Universo é o seu altar.

Na Terra, às vezes se acendem
Radiosos faróis que esplendem
Dentro das trevas mortais;
Suas rútilas passagens
Deixam fulgores, imagens,
Em reflexos perenais.

É o sofrimento do Cristo,
Portentoso, jamais visto,
No sacrifício da cruz,
Sintetizando a piedade,
E cujo amor à Verdade
Nenhuma pena traduz.

É Sócrates e a cicuta,
É César trazendo a luta,
Tirânico e lutador;
É Cellini com sua arte,
Ou o sabre de Bonaparte,
O grande conquistador.

É Anchieta dominando,
A ensinar catequizando
O selvagem infeliz;
É a lição da humildade,
De extremosa caridade
Do pobrezinho de Assis.

Oh! bendito quem ensina,
Quem luta, quem ilumina,
Quem o bem e a luz semeia
Nas fainas do evolutir:
Terá a ventura que anseia.
Nas sendas do progredir.

Uma excelsa voz ressoa,
No Universo inteiro ecoa:
“Para a frente caminhai!
“O amor é a luz que se alcança,
“Tende fé, tende esperança,
“Para o Infinito marchai!”

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Poesia de Antero de Quental - extraída do livro Parnaso de Além Túmulo - psicografia de Francisco Cândido Xavier.

                               

 

                                 Supremo engano


Vê-se da Terra o Céu, em toda a vida,
Como um vergel azul de lírios brancos,
Onde mora a ventura, e em cujos flancos
Repousa a grande mágoa adormecida.

Céu! quanta vez minhalma entristecida
Anteviu tua paz, sob os arrancos,
Sob os golpes da dor, rijos e francos,
Na escuridão espessa e indefinida!

Não sonhei com teus deuses venturosos,
Com teus grandes olimpos majestosos,
Cheios de vida e de infinitos bens...

Antegozei, somente, em minhas dores,
A paz livre de trevas é pavores,
Do imperturbável nada que não tens!

sábado, 11 de setembro de 2010

Extraído de Livro Kardec Prossegue de Adelino da Silveira




CORTESIA COM O CHAPÉU ALHEIO


O caso tem tantos anos que não sei se o protagonista ainda vive.

O Chico foi procurado por um gerente de Banco, que trazia o Evangelho nas mãos e foi logo dizendo:

- Olha, senhor Chico, tentei seguir o Evangelho à risca e posso dizer ao senhor que não dá certo não.

- Mas o que foi que lhe aconteceu, meu irmão?

Ele abriu o Evangelho no versículo quarenta e dois, do capítulo cinco, do Evangelho de Mateus e leu: “Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.”

Depois continuou:

- Fui procurado por uma pessoa que estava em grande dificuldade e que me solicitou um empréstimo vultoso. Emprestei-lhe o dinheiro e a pessoa não pagou até hoje. Agora ou dou um jeito de pagar, dispondo até de minha própria casa, ou o Banco me põe na rua. Você pode me dizer por que fui tão castigado se segui fielmente o Evangelho?

O espírito de Emmanuel, então, lhe respondeu:

- Meu amigo, não estamos contra os ensinamentos de Jesus, mas Ele nos ensinou isso para quando o dinheiro for nosso.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A ÚLTIMA DÁDIVA - extraído do livro "Contos desta e doutra vida", pelo Espírito de Humberto de Campos, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Conta-se que Simão Pedro estava cansado, depois de 20 dias junto ao povo.

Banhara feridentos, alimentara mulheres e crianças esquálidas e, em vez de receber a aprovação do povo, recolhia insultos velados, aqui e ali...

Após 03 semanas consecutivas de luta, fatigara-se e preferira isolar-se entre as alcaparreiras amigas.

Por isso mesmo, no crepúsculo anilado, estava, ele só, diante das águas, a refletir....

Aproxima-se alguém, contudo...

Por mais busque esconder-se, sente-se procurado.

É o próprio Cristo.

- Que fazes, Pedro? – disse o Senhor.

Penso, Mestre.

E o dialogo prolongou-se.

- Estás triste?

- Muito triste.

- Porquê?

- Chamam-me ladrão.

- Mas se a consciência te não acusa, que tem isso?

- Sinto-me desditoso. Em nome do amor que me ensinas, alivio os enfermos e ajudo aos necessitados. Entretanto injuriam-me. Dizem por aí que furto, que exploro a confiança do povo... Ainda ontem, distribuía os velhos mantos que nos foram cedidos pela casa de Carpo, entre os doentes chegados de Jope...Alegou alguém, inconsideradamente que surrupiei a maior parte...Estou exausto, Mestre. 20 dias de multidão pesam mais que 20 anos de serviços na barca.

- Pedro, que deste aos necessitados nestes últimos dias?

- Moedas, túnicas, mantos, ungüentos, trigo e peixe...

- De onde chegaram as moedas?

- Das mãos de Joana, a mulher de Cusa.

- As túnicas?

- Da casa de Zobalan, o curtidor.

- Os mantos?

- Da residência de Carpo, o romano que decidir amparar-nos.

- Os ungüentos?

- Do lar de Zebedeu, que os fabrica.

- O trigo?

- Da seara de Zaqueu, que se lembra de nós.

- E os peixes?

- Da nossa pesca.

- Então, Pedro?

- Que devo entender, Senhor?

- Que apenas entregamos aquilo que nos foi ofertado para distribuirmos, em favor dos que necessitam. A Divina Bondade conjuga as circunstancias e confia-nos de um modo ou de outro os elementos que devamos movimentar nas obras do bem...Disseste servir em nome do Amor...

- Sim, Mestre...

- Recorda, então, que o amor não relaciona calúnia, nem conta sarcasmos.

O discípulo, entremostrando súbita renovação mental, não respondeu.

Jesus abraçou-o e disse apenas:
- Pedro, todos os bens da vida podem ser transmitidos de sítio a sítio e de mão a mão...Ninguém pode dar, em essência esse ou aquele patrimônio do mundo, senão o próprio Criador, que nos empresta os recursos por Ele gerados na Criação... E, se algo podemos dar de nós, o amor é a única dádiva que podemos fazer, sofrendo e renunciando por amar.

O apóstolo compreendeu e beijou as mãos que o tocavam de leve.

Em seguida, puseram-se ambos a falar alegremente sobre as tarefa esperadas para o dia seguinte.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mensagem extraída do Livro "O Espírito da Verdade", psicografado por Francisco Cândido Xavier.


                                                             Foto de D. Clélia Rocha                                             

                                                               Deus te abençoe

Logo após fundar o Lar “Anália Franco”, na cidade de S. Manuel, no estado de S. Paulo, viu-se D. Clélia Rocha em sérias dificuldades para mantê-lo.



Tentando angariar fundos de socorro, a abnegada senhora conduzia crianças, aqui e ali, em singelas atividades artísticas. Acordava almas. Comovia corações. E sustentava o laborioso período inicial da obra.


Desembarcando, certa noite, em pequena cidade, foi alvo de injusta manifestação antiespírita. Apupos. Gritaria. Condenações.


D. Clélia, com o auxílio de pessoas bondosas, protege as crianças. Em meio à confusão, vê que um moço robusto se aproxi-ma e, marcando-lhe a cabeça, atira-lhe uma pedra.


O golpe é violento. O sangue escorre. Mas a operosa servidora do bem procede como quem desconhece o agressor.


Medica-se depois.


Há espíritas devotados que surgem. D. Clélia demora-se por mais de uma semana, orando e servindo.


Acabava de atender a um doente em casa particular, quando entra senhora aflitíssima. É mãe. Tem o filho acamado com meningite e pede-lhe auxílio espiritual.


D. Clélia não vacila. Corre ao encontro do enfermo, e surpre-endida, encontra nele o jovem que a ferira.


Febre alta. Inconsciência. A missionária desdobra-se em des-velo.


Passes. Vigílias. Orações. Enfermagem carinhosa.


Ao fim de seis dias, o doente está salvo. Reconhece-a envergonhado e, quando a sós, beija-lhe respeitosamente as mãos e pergunta:


– A senhora me perdoa?


Ela, contudo, disse apenas, com brandura:


– Deus te abençoe, meu filho.


Mas o exemplo não ficou sem fruto, porque o moço recuperado fez-se valoroso militante da Doutrina Espírita e, ainda hoje, onde se encontra é denodado batalhador do Evangelho.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mensagem de Eurípedes Barsanulfo, extraída do Livro "O Espírito da Verdade", psicografado por Francisco Cândido Xavier;


Há criaturas que deixaram, na Terra, como único rastro da vida robusta que usufruíam na carne, o mausoléu esquecido num canto ermo de cemitério.


Nenhuma lembrança útil.

Nenhuma reminiscência em bases de fraternidade.

Nenhum ato que lhes recorde atitudes com padrões de fé.

Nenhum exemplo edificante nos currículos da existência.

Nenhuma idéia que vencesse a barreira da mediocridade.

Nenhum gesto de amor que lhes granjeasse sobre o nome o orvalho da gratidão.

A terra conservou-lhes, à força, apenas o cadáver – retalho de matéria gasta que lhes vestira o espírito e que passa a ajudar, sem querer, no adubo às ervas bravas.

Usaram os empréstimos do Pai Magnânimo exclusivamente para si mesmos, olvidando estendê-los aos companheiros de evolução e ignorando que a verdadeira alegria não vive isolada numa só alma, pois que somente viceja com reciprocidade de vibrações entre vários grupos de seres amigos.

Espíritas, muitos de nós já vivemos assim!

Entretanto, agora, os tempos são outros e as responsabilidades surgem maiores.

O Espiritismo, a rasgar-nos nas mentes acanhadas e entorpecidas largos horizontes de ideal superior, nos impele para frente, rumo aos Cimos da Perfectibilidade.

A Humanidade ativa e necessitada, a construir seu porvir de triunfos, nos conclama ao trabalho.

O espírito é um monumento vivo de Deus – o Criador Amorável. Honremos a nossa origem divina, criando o bem como chuva de bênçãos ao longo de nossas próprias pegadas.

Irmãos, sede vencedores da rotina escravizante.

Em cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as ilusões.

O espírito deve ser conhecido por suas obras.

É necessário viver e servir.

É necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que pó!